terça-feira, 23 de outubro de 2007

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A poesia não morreu. Ta por aí, disfarçada.Raramente se veste de rimas, pra não ser reconhecida.Só de vez em quando aparece, assim mesmo de noite, medrosa que está de ser chamada de piegas.Os poetas se esbarram, disfarçados como agentes secretos.Fingem que não são, se travestem de práticos e fazem pose de “frios”.De vez em quando um boato: “Foi vista uma poesia no subúrbio. Ninguém comprovou, mas dizem...”Mas se a poesia não morreu, o que havia no caixão, no enterro dela?Há quem sustente que era a “certeza absoluta”. Pode ser, já que esta, ninguém nega: está morta.É levada da breca, essa menina poesia.Como Peter Pan, jamais cresceu.Pula do olho da avó pra menininha negra, batendo palmas diante do bolinho de seus três anos.Anda em passarinhos, em noites de lua e em cada saudade que alguém tem coragem de confessar.Tem um caso com o amor, embora já tenha sido vista sem ele.Virou moderna, a poesia – quase feminista.Nenhuma criança duvida da sua existência, daí a maioria dos adultos não acreditarem nela.É como Papai Noel: existe sempre que alguém faz algo e lhe atribui o gesto.Jamais aparece na política, mas ta sempre nos olhos do prefeito quando ele vê sua filha dormindo.Jamais a poesia é visível na cidade grande, mas ta sempre no olho do menino que anda por ela.Enquanto discutem se ela morreu, a poesia zela por nós, aconchega nossas dores e descrenças como um amigo que desse as mãos a Deus, pra levá-Lo aos humanos.
Oswaldo Montenegro

NADA CONTRA

Enquanto a cidade não lê,
Os gatunos do poder se eternizam
Na capital, e nós?
E você?
Eu...dançaremos o carnaval
Na praça que tem nome de poeta,
Porta aberta pra fome passar.
Quem se infiltrará nas minhas
IMPRESSÕES DIGITAIS???
Quem se atreve a burilar meu poema com o suor
Do rosto?
E sangrar o peito, ouvindo Gonzaguinha, Simone, Fagner...
Calcanhoto, Marisa Monte...
Nada contra a música eletrônica,
Prefiro o misticismo de Kitaro,
E os sussurros de Ênia...
Nada contra as duplas caipira...
Alguns não cantam nada...
Outros são caipiras como eu.
Enquanto isso...ouça Beethoven,
Ou recite, “vaca estrela” de Patativa do Assaré.
Como quiser...deixe a pomba voar,
E a Jovem Guarda passar...

Enquanto isso na pérgula das ilusões
Um poeta se debruça triste
Pelo que de bom ainda não aconteceu.

RECADO



Não espere ser afro-descendente,
Amarelo, índio ou mameluco
Pra lutar contra o
Preconceito racial,
Nem ficar paralítico pra entender
As rampas nas calçadas.

Não espere que as placas
Falem por você,
Não espere que eu quebre meu silêncio
Pra você falar comigo.

Os galhos das árvores não se podam sozinhos,
Apanhe você mesmo
O lixo na frente de sua casa.

Sobre o Autor.

Paulo Cézar Santos Melo, Baiano de Cipó-BA, nascido às margens do Rio Itapicuru, em 04 de maio, idos dos anos 60...divorciado, contabilista, Sargento da Polícia Militar da Bahia, ora servindo na 21ª Companhia Independente de Polícia Militar, lotado no comando do Grupamento de Polícia Militar em Ribeira do Amparo-BA, é deveras um poeta nato, desde sua adolescência, um fiel amigo da literatura, louco para os íntimos, para os distantes, um metódico, estranho ser adiante do seu tempo.
Em 1998 lançou em Maragojipe-BA seu primeiro livro de poesias, intitulado: UM POUCO DE TUDO, bem como na carona da Banda de Música da EFAP (Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Praças), lançou também na Praça Tereza Batista (Pelourinho/Salvador-Bahia).
Quando programava o lançamento em sua terra natal, um lastimável imprevisto, encerra de uma vez, toda ânsia do poeta em realizar seu intento. O seu veículo incendeia-se, e nas cinzas, vão-se os quase 300 exemplares de sua primeira obra publicada.

Ao longo dessa década, ele se recompõe, ergue-se como a fênix da mitologia, e escreve IMPRESSÕES DIGITAIS, passa por duras provas em sua trajetória de vida pessoal, separa-se de sua primeira esposa, que dessa união nascem suas duas esperanças: Paula Rafaela & Poliana,
( perde seu tio João de Amélia, com quem confabulava na varanda e dividia íntimos segredos.)
A poesia na vida de Paulo Cézar tem raízes profundas, que por si só, se regam, pois não obstante o prazer pela leitura, a curiosidade em beber desse néctar imaginário que o deixa inspirado e “como que fora de si”, sua formação acadêmica em letras vernáculas, não se concretizou, contudo o borbulhar da fonte, ergue-se das entranhas de sua alma, e surgem então, sonhos, verdades, protestos, versos de amor, homenagens, diálogos, sublimidades, etc.

A maestria com que se reveste os versos de Cézar, são deveras únicos, seus, de seu próprio ser, de sua alma inquieta e desconfortável ante aos acontecimentos que mechem com a humanidade de um modo geral.

Influenciado pelos versos de Glaydston Machado, Goretti, Ailton Dias, Raniery, Verônica, Cássio Lyra, decola das gavetas do esquecimento este presente materializado e emocionante que certamente após a leitura, o precioso (ouvinte), leitor, admirador deste estilo literário, repetirá a dose e repensará sua própria história.

Boa Leitura.

Paulo Cesário – Poeta, Filósofo, Andarilho
Irmão de Paulo Cézar

IMPRESSÕES DIGITAIS


rabiscos & poesias

Paulo Cézar Santos Melo
Ano: 2007 -2008

“Os sonhos trazem saúde pra emoção, equipam o frágil para ser autor da sua história, renovam as forças do ansioso, animam os deprimidos, transformam os inseguros em seres humanos de raro valor.
Os sonhos fazem os tímidos terem golpes de ousadia e os derrotados serem construtores de oportunidades.”

Augusto Cury